ESCOTISMO |
O QUE É ESCOTISMO |
A MISSÃO |
CONTRIBUIÇÕES |
A ORGANIZAÇÃO |
| RAMO | ABRANGÊNCIA |
| Lobinho | Para meninos e meninas de 7 a 10 anos, denominados lobinhos (meninos) ou lobinhas (meninas) |
| Escoteiro | Para rapazes e moças de 11 a 14 anos, denominados escoteiros (rapazes) e escoteiras (moças) |
| Sênior | Para rapazes e moças de 15 a 17 anos, denominados seniores (rapazes) e guias (moças). |
| Pioneiro | Para rapazes e moças de 18 a 21 anos (incompletos), denominados pioneiros (rapazes) e pioneiras (moças). |
ESCOTISTAS E DIRIGENTES |
AS MODALIDADES |
| MODALIDADE | DESCRIÇÃO |
| Básica | Caracterizada pelo escoteiro típico, sendo a modalidade com o maior número de integrantes, apresenta grande flexibilidade de atividades e com formação geralmente mais voltada para a atividade excursionista, campismo e montanhismo. |
| Do Mar | Tem como principal diferença das outras modalidades é que realizam suas atividades preferencialmente na água, onde quer que exista água em quantidade e profundidade suficientes para que uma embarcação possa navegar, seja ela de que tipo for. Sendo assim podem existir Escoteiros do Mar, seja esta água de mar, de rio, lago, lagoa ou pantanal. Procurando desenvolver nos jovens o gosto pela vida no mar, pelas artes e técnicas marinheiras, pela navegação à vela e a motor, pelas viagens e transportes marítimos, pela pesca, pelo estudo da oceanografia, pela exploração e pelos esportes náuticos, incentivando o culto das tradições da marinha. A gama de atividades que podem ser realizadas é enorme, indo da tradicional navegação a remo até mergulho ou windsurf. |
| Do Ar | A Modalidade do Escotismo do Ar, não foi idealizada pelo fundador, Baden-Powell, das outras duas modalidades, básica e modalidade do Mar, nem mesmo na Inglaterra, a Modalidade tem sua origem no Brasil. Dia 28 de abril de 1938, é oficializado o primeiro Grupo Escoteiro da Modalidade do Ar, o Grupo Escoteiro do Ar Tenente Ricardo Kirk, tendo como responsáveis o Major Aviador Godofredo Vidal, o Tenente Coronel Aviador Vasco Alves Secco e o Primeiro Sargento Telegrafista Jayme Janeiro Rodrigues, na época servindo no 5º Regimento de Aviação, atual CINDACTA II, em Curitiba. Em 19 de abril de 1944, foi criada a Federação Brasileira de Escoteiros do Ar, a qual congregava todos Grupos Escoteiros da Modalidade, na época se restringindo aos Estados do Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. O Brigadeiro Nero Moura, em 26 de julho de 1951, então Ministro da Aeronáutica, reconhecendo a tamanha expansão registrada e seus valiosos objetivos, entre eles o de incentivar o interesse dos jovens pela aeronáutica, determinou que todas as unidades da Força Aérea Brasileira dessem total apoio à Modalidade do Ar, o que acontece até os dias presentes. |
LEI ESCOTEIRA |
A PROMESSA |
Antes de se tornar um membro do escotismo, o jovem cumpre várias etapas de adestramento e quando estiver pronto, ele faz uma promessa diante do movimento escoteiro. Após a promessa escoteira, o jovem passa a usar distintivos, uniforme e o lenço de seu grupo. A Promessa orienta a vida do jovem em seus Deveres para com Deus e com a Pátria, lembra o jovem de Ajudar o Próximo em toda e qualquer ocasião e lembra o compromisso que ele tem com a Lei Escoteira. A Promessa é renovada quando o membro muda de Ramo ou de Grupo Escoteiro.
"Prometo pela minha honra fazer o melhor possível para:
cumprir meus deveres para com Deus e minha Pátria;
ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião;
e obedecer a Lei Escoteira."
A Promessa do Lobinho, de forma adaptada à idade, prestada por Lobinhos e Lobinhas na cerimônia correspondente é a seguinte:
"Prometo fazer o melhor possível para:
Cumprir meus deveres com Deus e minha Pátria;
Obedecer a Lei do Lobinho e fazer todos os dias uma boa ação.
Os Escotistas Adultos e Dirigentes, na cerimônia da Promessa ou na posse de um cargo, prestarão a Promessa Escoteira acrescentando ao final: "e servir à União dos Escoteiros do Brasil". Os estrangeiros, conforme o caso, prestarão a Promessa dizendo após "deveres para com Deus", a frase "a minha Pátria e ao Brasil".
NOSSO PROPÓSITO |
SEU PRÓPRIO DESENVOLVIMENTO
Convencidos da pluralidade da natureza humana e interessados no ser humano, como um todo, procuramos oferecer aos jovens o desenvolvimento equilibrado de todas as dimensões de sua personalidade, promovendo, criando e fornecendo oportunidades para o pleno desdobramento de a complexa variedade de expressões do ser humano. A saúde, a integração social, a maturidade, o equilíbrio afetivo e a própria felicidade dependem do desenvolvimento harmonioso de todos esses aspectos.
COMPROMISSO COM A EDUCAÇÃO PERMANENTE
vida se reinicia a cada momento, o que a converte numa aprendizagem que nunca se conclui. Nenhum aspecto da educação pode ser reduzido ao sistema escolar ou a um período de vida, já que o ser humano tem necessidade e deve ter a possibilidade de aprender ao longo de toda a sua existência.
Para que o jovem tome consciência desta realidade, nós o orientamos na direção do autodesenvolvimento e na busca da constante superação.
OS PRINCÍPIOS QUE NOS GUIAM |
Nossos princípios constituem um marco referencial de valores essenciais e atraentes.
A adesão a esses valores contribui fortemente para que os jovens tenham uma razão de viver consistente, para buscar a felicidade e motivar outros nessa mesma direção
A RELAÇÃO COM DEUS
Convidamos os jovens a ir além do mundo material, a orientar suas vidas por princípios espirituais e a seguir caminhando em busca de Deus, presente na existência de todos os dias, na criação, no próximo, na história. Convidamos os jovens a assumir a mensagem de sua fé, buscá-la e vivê-la na comunidade de sua confissão religiosa, compartilhando da fraternidade dos que se unem em torno de uma mesma religião e sendo fiéis e suas convicções, seus símbolos e suas celebrações. Destacamos diante dos jovens a importância de integrar a fé à vida e à conduta, dela prestando testemunho em todos os seus atos. Além disso, nós os convidamos a viver sua fé com alegria, sem nenhuma hostilidade para com aqueles que buscam, encontram ou vivem respostas diferentes diante de Deus, abrindo-se ao interesse, à compreensão e ao diálogo com todas as opções religiosas. Uma pessoa guiada por estes princípios reconhece, vive e compartilha o sentimento transcendente de sua vida, sem posicionamentos sectários e sem fanatismo.
A RELAÇÃO COM O PRÓXIMO
Estimulamos o amor ao país e a seus símbolos, sem ufanismo, em harmonia com todos os povos e buscando a promoção da paz mundial. Propomos aos jovens respeitar com carinho o mundo natural, comprometer-se com o desenvolvimento sustentável e participar ativamente dos esforços para sua preservação e renovação. Desenvolvemos e oferecemos oportunidades para que desenvolvam sua curiosidade, ajudando-os a projetar em suas vidas adultas o interesse pela aquisição de habilidades para o trabalho manual que permite transformar coisas, descobrindo a ciência e a tecnologia como meios a serviço do homem. Nós os motivamos para que aprendam a reaprender, a reinventar, a imaginar e a seguir pistas ainda não exploradas. Motivamos sua admiração pelo trabalho bem feito e fomentamos sua aspiração à excelência. Uma pessoa animada por esse espírito deixará o mundo melhor do que aquele que encontrou e seu testemunho será um permanente desafio à superação. Entendemos que o ser humano só se realiza plenamente quando exerce sua liberdade respeitando a do próximo. Propomos aos jovens que busquem sua realização por meio do serviço ao próximo e que se integrem de maneira responsável e solidária a sua comunidade. Pedimos aos jovens que incorporem a valorização dos direitos humanos a seu modo de pensar e suas atitudes. Promovemos seu comprometimento com a democracia como forma de governo que melhor permite a participação de todos e a igualdade de oportunidades mesmo para as minorias. Nossa proposta é que reconheçam e exerçam o poder e a autoridade sempre a serviço do bem comum. Destacamos o valor do trabalho de cada um para o bem estar de todos, ensinamos o respeito aos que trabalham e incentivamos os jovens a orientar suas relações econômicas e sociais de forma justa. Promovemos a igualdade de direitos entre o homem e a mulher e fomentamos na juventude o apreço pela colaboração e pelo mútuo enriquecimento, respeitando a natureza particular de ambos os sexos, sem quaisquer preconceitos. No plano das relações pessoais, nós os convidamos a desenvolver sua afetividade com naturalidade e respeito, pautando pelo amor seu comportamento sexual. Propomos ao jovem que aproveite a existência e as relações humanas com alegria e senso de humor, buscando superar as dificuldades e expressando constantemente o prazer de viver. A nós interessa que os jovens sejam reconhecidas por suas atitudes de simpatia, compreensão e afeto para com o próximo, transformando em ambientes agradáveis os espaços em que vivem e se desenvolvem. Uma pessoa guiada por estes valores sociais demonstra pelo seu próprio exemplo e testemunho que é possível encontrar a felicidade e a realização pessoal por meio do serviço ao próximo.
A RELAÇÃO CONSIGO MESMO
Convidamos os jovens a usar progressivamente sua liberdade, e assumir- se com responsabilidade, a aprender e discernir e decidir, enfrentando as conseqüências de suas decisões e de seus atos. Convidamos os jovens a usar progressivamente sua liberdade, e assumir-se com responsabilidade, a aprender e discernir e decidir, enfrentando as conseqüências de suas decisões e de seus atos. Nós os desafiamos a pautar sua honra na fidelidade à palavra empenhada, leais para com os demais e coerentes com seus valores. Nós lhes propomos que sejam fortes, mantendo-se firmes em seus objetivos e tendo a coragem de ser autênticos, em um claro testemunho de que são o que dizem ser. O homem ou a mulher conseqüente com estes princípios é uma pessoa íntegra, reta e forte, representa uma alternativa a alguns aspectos da cultura de hoje e contribui para a superação de tendências permissivas.
NOSSO MÉTODO EDUCATIVO |
Para alcançar nosso propósito, utilizamos o Método Escoteiro, que constitui um todo onde se combinam diversos componentes.
A ADESÃO À PROMESSA E À LEI ESCOTEIRA
O principal elemento do método é o convite pessoal a cada jovem, em um momento determinado de sua progressão, para que formule sua Promessa Escoteira. Por meio deste compromisso, o jovem aceita livremente, diante do seu grupo de companheiros, ser fiel à palavra empenhada e fazer o seu melhor possível para viver de acordo com a Lei. A Lei escoteira é um instrumento educativo em que estão expressos, de maneira compreensível para as diferentes faixas etárias, os princípios que nos guiam. Este compromisso será um ponto de referência em cuja direção se projetará toda a vida de um jovem.
A APRENDIZAGEM PELO SERVIÇO
Como expressão dos princípios sociais do Movimento, o método escoteiro é propício a que os jovens assumam uma atitude solidária, realizem ações concretas de serviço e se integrem progressivamente ao desenvolvimento de suas comunidades. Além de contribuir para resolver um problema ou para aliviar uma dor, o serviço é uma forma de explorar a realidade, de conhecer a si mesmo, de descobrir outras dimensões culturais, de aprender a respeitar aos demais, de experimentar a aceitação e o reconhecimento do meio social, de construir a auto-imagem e de estimular a iniciativa em direção às mudanças e à melhoria da vida em comum.
A APRENDIZAGEM PELA AÇÃO
Outro componente essencial é a educação ativa, em que os jovens aprendem por si mesmos, por meio da observação, do descobrimento, da elaboração, da inovação e da experimentação. Esta aprendizagem não formal permite viver experiências pessoais que interiorizam e consolidam o conhecimento, as atitudes e as habilidades. Desta maneira, e do ponto de vista cognitivo, se substitui a simples recepção de informação pela efetiva aquisição de conhecimento; no domínio da afetividade, se substitui a norma imposta pela norma descoberta e a disciplina exterior pela interior; e, no campo motriz, a passividade receptiva do destinatário cede lugar à criatividade efetiva do realizador.
UM SISTEMA DE EQUIPES
Um fator fundamental do método é a vinculação a pequenos grupos de jovens de idade semelhante. Estas equipes de iguais aceleram a socialização, identificam seus membros com os objetivos comuns, ensinam a estabelecer vínculos profundos com outras pessoas, geram responsabilidades progressivas, proporcionam autoconfiança e criam um espaço educativo privilegiado para que o jovem cresça e se desenvolva.UMA SOCIEDADE DE JOVENS |
Os pequenos grupos e as demais estruturas oferecidas pelo Movimento para que os jovens se organizem em torno de sua proposta educativa e desenvolvam suas atividades por si mesmos, fazem lembrar uma sociedade de jovens. Nela se observam órgãos de governo e espaços para a participação, assembléias e conselhos que ensinam a administrar divergências e a obter consensos, organismos de tomada de decisões de interesse coletivo ou individual, equipes executivas que impulsionam à ação e fazem com que as coisas aconteçam. Uma escola ativa que incorpora a aprendizagem da convivência, da democracia e da eficiência à vida cotidiana. A quantidade, o tamanho e o nome dessas estruturas procuram responder às necessidades que decorrem das características do jovem nas diferentes etapas do seu desenvolvimento.
A APRENDIZAGEM PELO JOGO
O jogo oferece excelentes oportunidades para experimentar, aventurar, imaginar, sonhar, projetar, construir, criar e recriar a realidade. É, portanto, uma ocasião de aprendizagem significativa que o método escoteiro privilegia como um espaço para experiências em que o jovem é o protagonista. No jogo ele desempenhará papéis diversificados, descobrirá regras, se associará com outros, assumirá responsabilidades, medirá forças, desfrutará de triunfos, aprenderá a perder, avaliará seus acertos e seus erros.
UM SISTEMA PROGRESSIVO DE OBJETIVOS E ATIVIDADES:
O PROGRAMA DE JOVENS
A expressão mais visível e atraente do método escoteiro, onde se integram em absoluta harmonia todos os seus outros componentes, é seu variado programa de atividades, que representa para o jovem uma oferta coincidente com seus interesses e dentro da qual eles escolhem o que desejam fazer. Estas atividades permitem aos jovens extrair experiências pessoais que levam à conquista dos objetivos que o Movimento lhes propõe para as diferentes etapas do seu desenvolvimento. Os objetivos se encaminham progressivamente para o cumprimento do projeto educativo do Movimento, se baseiam nas necessidades do desenvolvimento harmônico dos jovens e se ajustam a suas possibilidades nas diferentes idades. As atividades propostas significam desafios que estimulam o jovem a se superar, permitem experiências que dão lugar a uma aprendizagem efetiva, produzem a sensação de haver tirado algum proveito e despertam o interesse por desenvolvê- las. Por isso dizemos que são desafiantes, úteis, recompensantes e atraentes. Pode ser incorporada ao programa de jovens toda atividade que reuna essas condições. O programa, por sua vez, é construído, realizado e avaliado com a participação de todos, mediante formas de animação que variam segundo as diferentes etapas de progressão.
A VIDA AO AR LIVRE
A vida ao ar livre é um meio privilegiado para as atividades escoteiras. Os desafios que a natureza apresenta permitem aos jovens equilibrar seu corpo, desenvolver suas capacidades físicas, manter e fortalecer a saúde, ampliar a criatividade, exercitar espontaneamente sua liberdade, estabelecer vínculos profundos com outros jovens, compreender as exigências básicas da vida em sociedade, valorizar o mundo, formar seus conceitos estéticos, descobrir e se encantar com a ordem da Criação. O método escoteiro propõe aos jovens Integrar essas experiências a seus hábitos freqüentes e a seu estilo de vida, recuperando continuamente o silêncio interior e retornando sempre aos ritmos naturais e à vida sóbria.
UM MARCO SIMBÓLICO
O método também apresenta aos jovens um conjunto de elementos simbólicos que incorporam a riqueza dos símbolos e integram o ambiente de referência próprio do Movimento. Estes símbolos motivadores estimulam a imaginação, ajudam a promover a coesão em torno dos objetivos compartilhados, asseguram o senso de pertencer a um grupo de iguais e destacam paradigmas que se oferecem como modelos a imitar. Cada uma das etapas de progressão se relaciona a um marco simbólico próprio, que se adapta à capacidade imaginativa e às necessidades de identificação de cada faixa etária.
UM CERIMONIAL PARA CELEBRAR A VIDA
O desenvolvimento progressivo do jovem é destacado por meio de diversos atos que comemoram sua história pessoal e a tradição comum, além de traduzir a alegria da comunidade pelo progresso de cada um dos seus integrantes. Pelo cerimonial se renova o sentido do símbolo, se reforça a unidade do grupo e se cria o ambiente propício à reflexão em torno dos valores que permeiam a atividade de todos os dias.
A PRESENÇA ESTIMULANTE DO ADULTO
No processo de crescimento dos jovens, o educador adulto, permanecendo como tal, se incorpora alegremente ao dinamismo juvenil, dando testemunho dos valores do Movimento e ajudando os jovens a descobrir o que não poderiam descobrir sozinhos. Este estilo permite estabelecer relações horizontais de cooperação para a aprendizagem, facilita o diálogo entre as gerações e demonstra que o poder e a autoridade podem ser exercidos a serviço da liberdade daqueles a quem se educa, dirige ou governa.
O HOMEM E A MULHER QUE PRETENDEMOS OFERECER À SOCIEDADE
Desejamos que os jovens que tenham sido Escoteiros façam o seu melhor possível para ser: Um homem ou uma mulher reto de caráter, limpo de pensamento, autêntico na forma de agir, leal, digno de confiança. Um homem ou uma mulher capaz de tomar suas próprias decisões, respeitar o ser humano, a vida, e o trabalho honrado; alegre,e capaz de compartilhar sua alegria; leal ao seu país, mas construtor da Paz, em harmonia com todos os povos. Um homem ou uma mulher líder a serviço do próximo. Integrado ao desenvolvimento da sociedade, Capaz de dirigir, De acatar as leis, De participar, Consciente dos seus direitos, Sem se descuidar de seus deveres, Forte de caráter, Criativo, esperançoso, Solidário, empreendedor. Um homem ou uma mulher amante da natureza, E capaz de respeitar sua integridade. Guiado por valores espirituais, Comprometido com seu projeto de vida, Em permanente busca de Deus, E coerente em sua fé. Capaz de encontrar seus próprios caminhos na sociedade e ser feliz.
ROBERT STEPHENSON SMYTH BADEN-POWELL |

O escotismo surgiu antes da Primeira Guerra Mundial e, atualmente, conta com mais de 30 milhões de escoteiros no mundo. O movimento teve o tenente-coronel britânico Baden-Powell como principal personagem. Powell nasceu em 1857, na Inglaterra, e desde a infância mostrou grande apego pela aventura e pela natureza. Como militar, conheceu grande parte do mundo. Durante uma viagem pela Inglaterra, o militar observou alguns meninos lendo um livro que ele mesmo havia escrito para os exploradores do exército. O livro continha ensinamentos sobre como acampar e sobreviver em regiões selvagens. Em 1907, ele entusiasmou-se e resolveu realizar um acampamento com vinte rapazes de 12 a 16 anos, na Ilha de Brownsea. No acampamento, ensinou uma porção de coisas importantes, como primeiros socorros, observação, técnicas de segurança para a vida na cidade e na floresta. Suas experiências em treinar os jovens foram produtivas e gratificantes. A maneira como os jovens desempenhavam suas tarefas, seus exemplos de educação, lealdade, coragem e responsabilidade causaram grande impressão nele. Um manual de disciplina (dividido em seis fascículos) foi lançado por Powell em 1908, e o sucesso foi tão grande que vários movimentos de escoteiros começaram a surgir em todo o mundo. O crescimento foi tanto que, em 1910, ele compreendeu que o escotismo seria a obra à qual dedicaria a sua vida. Powell percebeu que podia fazer muito mais pelo seu país educando e disciplinando a nova geração de jovens, do que preparando homens na área militar. Resolveu, então, pedir demissão do exército, onde havia chegado a tenente-general, e passou a se dedicar exclusivamente ao escotismo. Em 1920, escoteiros de todas as partes do mundo reuniram-se em Londres para a primeira concentração internacional de escoteiros: o Primeiro Jamboree Mundial. Na ocasião, Baden Powell foi proclamado "Escoteiro-Chefe-Mundial", sob os aplausos da multidão de rapazes.
"Se queremos que nossos rapazes sejam felizes na vida,
devemos fazer com que eles assimilem o costume de praticar o bem ao próximo,
além de ensinar-lhes a apreciar as coisas da natureza."
Robert Stephenson Smyth Baden-Powell
INTRODUÇÃO |
Todos os que participam do Movimento Escoteiro devem conhecer sua história. A história de B-P se confunde com a do Escotismo: Robert Baden-Powell Fundador do Movimento Escoteiro Se você deseja compreender bem o Escotismo, tem que saber algo sobre o homem que fundou o Movimento Escoteiro - Lord Baden-Powell of Giwell - Escoteiro Chefe Mundial, conhecido por todos os escoteiros pelo apelido afetuoso de "B-P" (leiase bi-pi). Robert Stephenson Smith Baden Powell nasceu em Londres, Inglaterra, a 22 de Fevereiro de 1857. Seu pai era o Reverendo H. G. Baden Powell, professor em Oxford. Sua mãe era filha do Almirante inglês W. T.Smyth. Seu bisavô, Joseph Brewer Smyth, tinha ido como colonizador para New Jersey (América do Norte) mas voltou para a Inglaterra e naufragou na viagem de regresso. Baden-Powell era pois descendente, por um lado, de um Ministro Evangélico e, por outro, de um colonizador aventureiro do Novo Mundo.
B-P NA JUVENTUDE |
Seu pai morreu quando Robert tinha perto de três anos, deixando sua mãe com sete filhos, dos quais o mais velho não tinha ainda catorze anos. Havia, com freqüência, momentos difíceis para uma família tão grande, mas o amor mútuo entre mãe e filhos ajudava-lhes a continuar em frente. Robert viveu uma bela vida ao ar livre com seus quatro irmãos, excursionando e acampando com eles em muitos lugares da Inglaterra. Em 1870, B.P. ingressou na Escola Chaterhouse em Londres com uma bolsa de estudos. Não era um estudante que se destacava - mas era um dos mais vivos. Estava sempre metido em tudo que acontecia no pátio do colégio e cedo se tornou popular pela sua perícia como goleiro da equipe de futebol de Chaterhouse. Seus camaradas da escola muito apreciavam suas habilidades como ator. Sempre que pediam, ele improvisava uma representação que fazia a escola toda morrer de rir. Tinha também vocação para a música, e seu dom para o desenho permitiu-lhe, mais tarde, ilustrar todas as suas obras.
B-P NA ÍNDIA |
Aos dezenove anos, B-P colou grau na Escola Chaterhouse e aproveitou uma oportunidade para ir à Índia como Subtenente que formaria a ala direita da Cavalaria na célebre "Carga da Cavalaria Ligeira" da Guerra da Criméia. Além de uma excelente carreira militar - chegando a Capitão aos vinte e seis anos - ganhou o troféu esportivo mais desejado de toda a Índia - o troféu de "sangrar o porco", caça ao javali selvagem, a cavalo, tendo como única arma uma lança curta. Vocês compreenderão como este esporte é perigoso ao saber que o javali selvagem é habitualmente citado como "o único animal que se atreve a beber água no mesmo bebedouro com um tigre".
COMBATENDO NA ÁFRICA |
Em 1887 encontramos B-P na África participando da campanha contra os Zulus e, mais tarde, contra as ferozes tribos dos Ashantís e os selvagens guerreiros Matabeles. Os nativos o temiam tanto que lhe davam o nome de "Impisa", o "lobo-quenunca-dorme", devido à sua coragem, sua perícia como explorador e sua impressionante habilidade em seguir pistas. As promoções de Baden-Powell na carreira militar eram quase automáticas, tal regularidade com que ocorriam, até que, subitamente, se tornou famoso. Corria o ano de 1899 e Baden-Powell tinha sido promovido a coronel. Na África do Sul fermentava uma agitação. As relações entre a Inglaterra e o governo da República do Transvaal tinham chegado ao ponto de rompimento. Baden-Powell recebeu ordens de organizar dois batalhões de carabineiros montados e marchar para Mafeking, uma cidade no coração da África do Sul. "Quem tem Mafeking, tem as rédeas da África do Sul", era um dito corrente entre os nativos, que se verificou ser verdadeiro.
O CERCO DE MAFEKING |
Veio a guerra e, durante 217 dias - a partir de 13 de outubro de 1899, B-P defendeu Mafeking cercado por forças esmagadoramente superiores do inimigo, até que tropas de socorro conseguiram finalmente abrir caminho, lutando para auxiliá-lo, no dia 18 de maio de 1900. Nessa ocasião, em razão do emprego de todos os homens para a defesa da cidade, B-P teve sua primeira experiência com os jovens, mobilizandoos em atividades de apoio logístico, como ordenanças, estafetas, carteiros, etc. A Inglaterra estivera de respiração suspensa durante esses longos meses. Quando finalmente chegou a notícia: "Mafeking foi socorrida" ficou louca de alegria. Procure "Mafeking" em seu dicionário de inglês e junto a esta palavra você encontrará duas outras criadas nesse dia tumultuoso, derivadas do nome da cidade africana: "Maffick" e "Maffication" – significando "celebração tumultuosa". B-P, promovido agora ao posto de Major-General, torna-se um herói aos olhos de seus compatriotas.
NASCIMENTO DO ESCOTISMO |
Foi como um herói dos adultos e das crianças que, em 1901, ele regressou da África do Sul à Inglaterra, para ser cumulado de honrarias e para descobrir, surpreso, que a sua popularidade pessoal dera popularidade ao livro que escrevera para militares - "Aids to Scouting" - "Ajuda à Exploração Militar". O livro estava sendo usado como um compêndio nas escolas masculinas. B-P viu nisto uma provocação e um desafio. Compreendeu que estava aí a oportunidade de ajudar os rapazes de sua Pátria a se desenvolverem para uma robusta varonilidade. Se um Mal tinha começado a aparecer nas livrarias a nas bancas de jornal o "Escotismo para rapazes", e já surgiam Patrulhas e Tropas Escoteiras - principalmente na Inglaterra, e depois em muitos outros países. livro para adultos sobre as atividades dos exploradores podia exercer tal atração sobre os rapazes e servir-lhes de fonte de inspiração, outro livro, escrito especialmente para os rapazes, poderia despertar maior interesse! Pôs-se então a trabalhar, aproveitando e adaptando suas experiências na Índia e na África, entre os Zulus e outras tribos selvagens. Reuniu uma biblioteca especial e estudou nestes livros os métodos usados em todas as épocas para a educação e o adestramento dos rapazes, desde os jovens espartanos, os antigos bretões e os peles-vermelhas, até os nossos dias. Lenta e cuidadosamente B-P foi desenvolvendo a idéia do Escotismo. Queria estar certo de que a idéia podia ser posta em prática e, por isso, no verão de 1907, foi com um grupo de vinte rapazes para a ilha de Brownsea, no Canal da Mancha, para realizar o primeiro acampamento escoteiro que o mundo presenciou. O acampamento teve completo êxito.
ESCOTISMO PARA RAPAZES |
E a seguir, nos primeiros meses de 1908, lançou em seis fascículos quinzenais o seu manual de adestramento, "Escotismo para rapazes" - sem sequer sonhar que este livro ia por em ação um Movimento que iria afetar a juventude do mundo inteiro. Mal tinha começado a aparecer nas livrarias e nas bancas de jornal o “Escotismo para Rapazes”, e já surgiam Patrulhas e Tropas Escoteiras - principalmente na Inglaterra, e depois em muitos outros países.
A SEGUNDA VIDA DE B-P |
O Movimento cresceu tanto, tendo em 1910, atingido tais proporções que B-P compreendeu que o Escotismo seria a obra a que dedicaria sua vida. Teve a visão e a fé de reconhecer que podia fazer mais pelo seu país adestrando a nova geração para a boa cidadania do que preparando um punhado de homens para uma possível guerra futura. E, assim, pediu demissão do Exército onde havia chegado a Tenente-General, e ingressou na sua "segunda vida" - como costumava chamá-la - sua vida de serviço ao mundo por meio do Escotismo. Os frutos que colheu como recompensa desta decisão foram o crescimento do Movimento Escoteiro e o amor e o respeito dos rapazes do mundo inteiro.
A VIAGEM DE B-P EM 1912 |
Em 1912, fez uma viagem ao redor do mundo para entrar em contato com os Escoteiros de muitos países. Guerra Mundial (1914-1918) e momentaneamente interrompeu este trabalho; mas com o fim das hostilidades foi recomeçado e, em 1920, os Escoteiros de todas as partes mundo se reuniram em Londres para a primeira concentração internacional de Escoteiros - o Primeiro Jamboree Mundial. Na última noite desse Jamboree, a 6 de agosto, B-P foi aclamado "Escoteiro-Chefe Mundial", com os aplausos da multidão de rapazes. O Movimento Escoteiro continuou a crescer. No dia em que atingiu a "maioridade" completando vinte e um anos, contava com mais de dois milhões de membros em praticamente todos os países civilizados do mundo. Naquela ocasião B-P recebeu de seu Rei, Jorge V, a honra de ser elevado a Barão, sob o nome de Lord Baden-Powell of Gilwell. Mas, apesar desse título, para todos os Escoteiros ele continuou e continuará sendo sempre - B-P, o Escoteiro- Chefe- Mundial. O Primeiro Jamboree Mundial foi seguido por muitos outros - em 1924 na Dinamarca, em 1929 na Inglaterra, em 1933 na Hungria, em 1937 na Holanda. Em cada um desses Jamborees, Baden-Powell foi a figura principal, calorosamente saudado pelos "seus" rapazes onde quer que estivesse. Mas os Jamborees eram apenas uma parte do esforço no sentido de se formar uma Fraternidade Mundial de Escoteiros. B-P fez longas viagens cuidando dos interesses do Escotismo, mantinha correspondência com os dirigentes escoteiros de numerosos países e continuou a escrever sobre assuntos escoteiros, ilustrando com seus próprios desenhos artigos e livros.
OS ÚLTIMOS ANOS DE B-P |
Quando suas forças afinal começaram a declinar, depois de completar oitenta anos de idade, regressou à sua amada África, com sua esposa, Lady Olave Baden-Powell, que fora uma entusiasta e que era a Chefe Mundial das "Girl Guides" (Bandeirantes) - movimento também iniciado por Baden-Powell.Fixaram residência no Kenia, num lugar tranqüilo, com um panorama maravilhoso: florestas de quilômetros de extensão, tendo ao fundo montanhas de picos cobertos de neve. Foi lá que morreu B-P, em 8 de Janeiro de 1941 -faltando pouco mais de um mês para completar oitenta e quatro anos de idade. Em nossos dias o Escotismo tem mais de 28 milhões de membros ativos, em todos os Países reconhecidos pela O.N.U., sendo o maior Movimento Educacional de Jovens do mundo.
Fonte: Manual do Curso Informativo, União dos Escoteiros do Brasil (UEB).
ORIGEM DA PALAVRA ESCOTEIRO |
O termo escoteiro de acordo com o dicionário é definido como:
- Escoteiro; adjetivo e substantivo masculino.
Desimpedido, sem bagagem, sozinho; membro de associação de meninos(as) ou adolescentes organizada de acordo com o sistema de seu idealizador Baden Powell.
Também o mesmo termo é definido pelo próprio fundador como "scout", traduzido do inglês literal como explorador, mateiro; a respeito deste termo.
Baden-Powell define como:
"...Um explorador ou esclarecedor militar, como sabem; é em geral, no exercito, um soldado escolhido por sua inteligência e coragem para ir adiante das tropas, descobrir onde se acha o inimigo e, informar ao combatente tudo o que puder averiguar a seu respeito. Mas, além desses exploradores que prestam serviços na guerra, há também os exploradores que servem na paz - homens que em tempos de paz executam tarefas que requerem a mesma dose de coragem e de engenhosidade. São os homens que vivem nas fronteiras do mundo civilizado..."
Outra curiosidade também relatada por Baden Powell:
"...O escotismo ou ciência do explorador difere da espionagem no que respeita somente a colher informações sobre o inimigo ou seu país no decurso normal da carreira militar..."
"...Scout é uma palavra familiar para as crianças da Inglaterra. Em 1900, ainda antes da libertação de Mafeking, apareceu uma série de histórias intituladas "The Boy Scout Scarlett" e, a "New Buffalo Bill Library" editada pela The Boy Scout na mesma ocasião..."
Bem, retomando o significado do termo escoteiro cabe ressaltar como foi escolhido o termo para o Brasil.
A Adoção no Brasil do termo "escoteiro" deve-se ao Dr, Mário Sérgio Cardim, principal fundador da Associação Brasileira de Escotismo (ABE), com sede em São Paulo e do Escotismo feminino no Brasil.
Sua utilização nesse sentido não é conhecida em nosso país, quando o Dr. Mário Sérgio Cardim descobriu que o substantivo "escoteiro"
representava não apenas o "só", bem como "pioneiro" e "lépido", conforme lições de Herculano, Camilo, Gaspar Nicolau, Blutteau, citada pelo filólogo Candido Figueiredo.
Depois de uma palestra na "Rotisserie Sportman", com Olavo Bilac,
Amadeu Amaral e Coelho Neto, decidiu-se o Dr. Cardim pelo termo
"escoteiro", mais parecido com "scout", e já empregado em
Portugal (escutas), pelo Hermano Neves na tradução do livro de Baden Powell "Scouting for Boys".
Submeteu a confronto os vocábulos "pioneiro", "adueiro", "vanguardeiro", "bandeirante" e "escuta" que eram então propostos.
Esse termo foi oficializado pela Asociação Brasileira de Escoteiros, com sede em São Paulo, em seus estatutos impressos na casa Vaberden, em 1915, registrado na 1ª circunscrição de São Paulo, naquele ano, de acordo com a lei.
Conforme o Relatório de 1914/16 da A.B.E,, o Dr. Mário Sergio Cardim
sustentou pelas colunas de "O Paiz" uma amistosa discussão com o Dr.
Olympio de Araujo, membro da Academia Mineira de Letras, que defendia o termo"bandeirante".
Afirma o referido relatório, na página 4:
"...Provamos então que "escoteiro" significa também corajoso, esperto, destro, etc..., e que, "bandeirante" tinha o inconveniente de poder denunciar uma preocupação regionalista...".
As organizações escoteiras que funcionaram no Brasil, antes da A.B.E, segundo nos consta, usavam ainda denominações em idioma estrangeiro, como é, o caso do "Centro de Boys Scouts do Brazil" no R.J. e dos pfadfinders" do Turnerbund de Porto Alegre (Atual G.E. George Black). Também foi o Dr. Bário Sergio Cardim que utilizou pela primeira vez o termo "Sempre Alerta" para tradução de "Be Prepared".
A PALAVRA ESCOTEIROS EM OUTRAS LÍNGUAS |
LÍNGUA |
PALAVRA |
Inglês |
Scouts |
Alemão |
Pfadfinder |
Hebraica |
Hatsofim |
A PALAVRA "SEMPRE ALERTA" EM OUTRAS LÍNGUAS |
LÍNGUA |
PALAVRA |
| Inglês | Be prepared |
| Espanhol | Siempre Listo |
| Francês | Toujours prêt |
| Setswana (Botswana) | Nna oi pokoulse |
| Malay (Brunei) | Selalu Bersedia |
| Grego | Esso Etimos |
| Turco | Daima hazir |
| Dinamarquês | Vaer Beredt |
| Árabe | Kun Musta'idan |
| Hebraico | Hayer nachon |
| Filandes | Ole Valmis |
| Italiano | Estoti Parati |
| Alemão | Allzeit Bereit |
Fonte: 1) Portal Escoteiro Baependi (91/RS), A Palavra Escoteiro (Colaboração Escotista Moacir Starosta)
ESCOTISMO NO BRASIL |
A primeira notícia sobre o Escotismo publicada no Brasil foi no dia 1º de dezembro de 1909, no número 13 da revista Ilustração Brasileira editada no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, e com circulação nacional. A reportagem tinha o título : Scouts e a Arte de Scrutar; ocupava três páginas e apresentava 7 fotografias. A matéria fora preparada na Inglaterra pelo 1º Tenente da Marinha de Guerra Eduardo Henrique Weaver, onde se encontrava a serviço. Teve, assim, a oportunidade de presenciar o nascimento do Movimento Escoteiro – Scouting for Boys, criado em 1907 pelo General Inglês Baden-Powell – B. P. Na época, juntamente com o Tenente Weaver, encontrava-se na Inglaterra numeroso contigente de Oficiais e Praças da Marinha – preparava-se para guarnecer os novos navios da esquadra brasileira em construção. Um grupo de suboficiais de entusiasmou com o revolucionário método de educação complementar imaginado por B-P. Entre eles estava o Suboficial Amélio Azevedo Marques que fez com que seu filho Aurélio ingressasse em um dos Grupos Escoteiros locais. Assim, o jovem Aurélio Azevedo Marques foi o primeiro Escoteiro Brasileiro ou, mais precisamente, o primeiro Boy Scout brasileiro.
Quando da vinda para o Brasil, os militares trouxeram consigo uniformes escoteiros ingleses, no valor de trinta libras esterlinas. O Encouraçado "Minas Gerais", navio onde estava embarcada a maioria dos militares interessados em trazer para o Brasil o Movimento Escoteiro, chegou ao Rio de Janeiro em 17 de abril de 1910. No dia 14 de junho do mesmo ano, na casa número 13 da Rua do Chichorro no Catumbi, Rio de Janeiro, reuniram-se, formalmente, todos interessados pelo escotismo e embarcados nos navios que haviam chegado ao Brasil. Naquele local foi oficialmente fundado o Centro de boys Scouts do Brasil. O evento foi informado aos jornais, os quais publicaram a carta recebida da Comissão Diretora. A correspondência enviada começava nos seguintes termos: À imprensa desta capital, brilhante e poderoso fator de progresso, campeã de todas as idéias nobres, vem o Centro de Boys Scouts do Brasil, solicitar o auxílio de sua boa vontade, o esteio de que necessita para que em todos os lares brasileiros penetre o conhecimento do quanto à Pátria pode ser útil a instrução dos Boys Scouts.
UEB - UNIÃO DOS ESCOTEIROS DO BRASIL |
Fundada em 4 de novembro de 1924, a UEB (União dos Escoteiros do Brasil) surgiu para organizar o Movimento Escoteiro no Brasil que, desde 1910, já se instalara no país. Mesmo antes da criação da UEB, o Escotismo foi reconhecido como de Utilidade Pública Federal pelo Decreto nº 3.297, de 11 de junho de 1917.
Criada a UEB, a entidade recebeu o mesmo reconhecimento pelo Decreto nº 5.497, de 23 de junho de 1928 e mais tarde por meio do decreto-lei nº8.828, teve reconhecido suas características de instituição de educação extra-escolar e de órgão máximo do Escotismo Brasileiro.
Presente em todo o país, que conta com seus mais de 1.200 Grupos Escoteiros, a UEB coordena e supervisiona, por meio do seu Escritório Nacional, sediado em Curitiba, e dos Escritórios Regionais que atendem aos 26 Estados e ao Distrito Federal, as atividades escoteiras de mais de 70.000 crianças e jovens de ambos os sexos, com idade variando entre 7 e 21 anos.
ALMIRANTE BENJAMIM SODRÉ - O VELHO LOBO |
Em 10 de Abril de 1892 nasceu em Mecejana, no Ceará, o menino Benjamim de Almeida Sodré, filho de Lauro Sodré e que mais tarde se tornaria um personagem muito importante na História do Escotismo brasileiro. Curiosamente, Benjamim Sodré, que mais tarde seria conhecido pelos Escoteiros como O Velho Lobo, teve em sua vida muitas passagens e características semelhantes a B-P.
Ainda criança mudou-se para o Rio de Janeiro e depois de terminar seus estudos secundários prestou concurso para admissão na Escola Naval sendo aprovado em primeiro lugar. Fez brilhante carreira na Marinha Brasileira, sobrevivendo ao naufrágio do rebocador Guarani, em 1913 e chefiando a Comissão Naval Brasileira durante a II Guerra Mundial. Tornou-se Almirante em 1954.
O Velho Lobo, assim como o fundador Baden Powell tinha uma série de Talentos e Interesses diferentes. Foi professor de Astronomia, Navegação e História da Escola Naval, publicou diversos trabalhos, foi Maçom e sobretudo um excelente jogador de futebol, ponta esquerda do Time do América, do Botafogo e da Seleção Brasileira entre 1910 e 1916, conhecido como Mimi Sodré.
Desde que entrou em contato com o Movimento Escoteiro tornou-se um grande seguidor dos ideais de B-P, participando da fundação e organização dos Escoteiros do Mar, o primeiro Grupo Escoteiro de Belém, a Federação de Escoteiros paranaenses, entre outros. Escreveu o Guia do Escoteiro de 1925, uma das mais importantes obras do Escotismo Brasileiro.
Os Escoteiros do Brasil nesse período eram divididos em diversas Federações e não constituíam uma unidade central, desta forma, O Velho Lobo teve papel fundamental na idealização e criação da União dos Escoteiros do Brasil, a UEB, reunindo as quatro primeiras federações (a Federação de Escoteiros Católicos do Brasil, Federação Brasileira de Escoteiros do Mar, Federação dos Escoteiros do Brasil e Federação Fluminense de Escoteiros).
Foi honrado com uma série de títulos, entre eles o de Cidadão Honorário do Rio de Janeiro e outros Estados e medalhas de mérito, presidindo a ordem do tapir de Prata, a mais alta condecoração do Escotismo Brasileiro.
Faleceu em 1o de fevereiro de 1982, pouco mais de dois meses antes de completar 90 anos. Atualmente vários Grupos Escoteiros, ruas e espaços municipais levam o nome de Almirante Benjamim Sodré, em sua homenagem.
OLAVO BILAC - PATRONO DO ESCOTISMO NO BRASIL |
Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, poeta brasileiro, nasceu no dia 16 de dezembro de 1865, no Rio de Janeiro e faleceu no dia 28 de dezembro de 1918 no mesmo estado.Cursou a Faculdade de Medicina e Direito, abandonando essa carreira para dedicar-se exclusivamente para a literatura. Ao registrar-se a revolta armada, o Governo Floriano Peixoto considerou-o comprometido e mandou encerrá-lo. Colaborou em vários jornais e revistas como "Notícia", "Gazeta de Notícias" e a "Riva". Exerceu o cargo de Secretário do Congresso de Pan Americano em Buenos Aires, Inspetor da Instrução Pública e Membro do Conselho Superior do Departamento Federal. Tomou parte na Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de número 15, cujo patrono é Gonçalves Dias. Pertenceu à Escola Parsiana Brasileira, sendo um dos seus principais poetas. Seu cuidado em atingir uma obra perfeita, levou-o a escrever poesias tecnicamente admiráveis, atingindo um dos mais altos graus do nosso parnasianismo e os feitos históricos de seus desbravadores, são de grande beleza pelo ritmo e pelas imagens sonoras. Seus versos comoventes e de extraordinários sentimentos, o tornaram um dos nossos poetas mais preferidos. Sua consagração definitiva foi obtida com o seu livro:"Poesias" publicado em 1888. Escreveu muito, nunca se descuidando da forma. Algumas de suas obras: "Via Láctea", "Sarça de Fogo", "Crônicas e Novelas". O livro "Tarde", foi publicado postumamente em 1919. Consagrou os últimos anos de sua vida promovendo o Patriotismo e a Cidadania incentivando que os jovens participassem do movimento Escoteiro.
Olavo Bilac fala sobre o Escotismo:
Trecho da Conferência Realizada em Belo Horinzonte em 26 de Agosto de 1916 - Publicado em 1929 em Nictheroy pelas Officinas Graphicas da Escola Profissional "Washington Luis".
".. A escola dos escoteiros, uma das células primarias do organismo da educação cívica e da defesa nacional, tem um objetivo que se resume em breves linhas.
É a educação completa dos adolescentes. O escoteiro, desde que se inicia no tirocínio, anda, corre, salta, nada monta a cavalo, luta defende-se, maneja armas,; mantem-se num constante cuidado do asseio do corpo e da alma; afasta-se da pratica de todos os vícios; adquire noções de physica, chimica, botânica, astronomia, anatomia, geographia, topographia, astronomia; orienta-se pelo sol, pela posição das estrelas, pelo relógio, pela bússola, manuseia o termômetro e o barômetro, mede o caminho que percorre; estuda os mapas; sabe acender o fogo e cozinhar; faz acampamento; recebe e transmite comunicações pelos telégrafos Morse e Marconi, por meio de luzes, de sinais por bandeiras e pelos gestos dos braços; instintivamente aprende tática e estratégia; pode eficazmente socorrer feridos e vitimas de quaisquer desastres; alimenta e desenvolve os seus nobres sentimentos; abomina a mentira; reputa sagrada a sua palavra de honra; é disciplinado e obediente; é cortes; considera como irmãos os seus companheiros, ampara as mulheres, os velhos os enfermos; opõe-se a crueldade sobres os animais; é econômico mas condena a avareza; respeitando a própria dignidade, respeita a dignidade alheia; é alegre,; esforça-se por dizer claramente o que sente e exatamente descrever o que vê; pensa, raciocina, deduz; e enfim, conhece a historia e as leis do seu pais; é patriota e estimula a sua iniciativa.
Basta isso para que se veja que, no escotismo, se inclui todo ensino da infância e da adolescência . como o compreendia Platão , dizendo: "a educação tem por fim dar ao corpo e ao espírito a beleza e toda a perfeição de que eles são susceptíveis" , e como concebia Spencer, professando: " a educação é a preparação para a vida completa". Esta admirável escola ao ar livre abrange todos os pontos, que se contem no programa da moderna pedagogia.
Primeiro, a instrução física: a conservação ou o restabelecimento da saúde, pela higiene e pela medicina e o desenvolvimento normal e progressivo de todas as funções de corpo, pela ginástica e pelos jogos escolares.
Depois, a instrução intelectual: o amestramento dos cinco sentidos, a percepção externa e a interna, a cognição e a experiência; a consciência, a personalidade, e a liberdade; a faculdade de conservação - a memória; e as faculdades de elaboração - a atenção, a abstração, a generalização, juízo, o raciocínio, e a imaginação.
Enfim, a instrução moral; a sensibilidade, e a sua cultura; o amor próprio, o amor e o respeito da propriedade, foi livre arbítrio, da independência, da emulação; o altruísmo, a benevolência, a beneficência , a amizade, a docilidade,; o amor da pátria, do belo e do bem; o brio, a coragem, a disciplina; e a cultura da vontade, e a formação do caráter.
E este curso completo de adestramento é feito no seio da natureza, na alegria da vida desportiva, pelo gosto próprio, pela pratica, pela lição das coisas.
O escotismo forma homens e, ainda mais, heróis. É a heroicultura. Em cada escoteiro, no ultimo grau da iniciação, existe um "agenor", no sentido do vocábulo grego: Homem de coração.
Há pouco tempo, em São Paulo, um educador, o Sr.João Kopke, numa conferencia, lembrou que os antigos gregos davam aos ephebos , "sem ensino especial de civismo, meios de cultura própria, apenas por um programa limitado, entre o sete e os dezoito anos, formando uma boa e bela forma de homem, com a sua inteligência, os seus sentimentos e o seu corpo treinados".
Não era aquele ensino da ephebia o mesmo ensino que hoje damos aos escoteiros? Mais ainda: o juramento do escoteiro no primeiro grau de iniciação, e os doze artigos do Código do escotismo são uma reprodução aproximada da afirmação, que os efebos espartanos e atenienses prestavam, quando, perante os magistrados, recebiam a lança e o escudo: "Nunca aviltarei estas armas, nem abandonarei o meu companheiro na fileira; combaterei pela defesa dos templos e da propriedade; respeitarei as leis; e transmitirei a minha terra própria, não só menor, porem maior e melhor do que me foi transmitida".
Mas o juramento e o código do escoteiro tem mais larga e mais bela significação do que a formula dor efebos. A moral e o governo de Esparta e de Atenas estreiteza e secura de egoísmo.
Se quiserdes dar ascendência legitima, e foros e brasões de altas nobrezas a moderna criação do escotismo, deveremos radica-lo na tradição medieval da Cavalaria Andante. O grande ímpeto de desapego, de liberdade, de coragem e de altruísmo, que dispersou os cavaleiros andantes pelo mundo, foi o mais belo serviço da idade média.
Os abusos da cavalaria não a mataram. Os exageros de uma virtude matam-se a si mesmos; e deixam viva e inalterável a força da alma que foi exagerada. Também, sobre o curso dos rios nas cidades despejam todos os dejetos da sua vida; a água, turvada e infamada, aceita com resignação a afronta ; mas, em breve, libertada do contato dos centros populosos, na sua incessante agitação, torvelinhando sobre o leito de pedra e musgos, expurgando-se com o banho do ar livre, abluindo-se em si mesma, é daí a mesma linfa imaculada, reproduzindo a clareza e a virgindade da nascente.
Assim, o sentimento de honra, que inspirava os paladinos. Que era aquela instituição? Uma exaltação da alma, que impelia para a gloria, para a justiça e para o desinteresse: os heróis errante eram bravos e pródigos, destemidos e puros: respeitavam e protegiam os fracos, defendiam as viúvas e os órfãos, subjugavam a tirania insolente, veneravam a mulheres e davam ao amor um culto religioso... Morreram os abusos, mas a essência sublime ficou... Enquanto houver brio e bondade no mundo, sempre haverá cavaleiros andantes.
No escotismo - e é esta a sua maior e mais verdadeira beleza - a exaltação reveste-se de um distintivo prático, sem perder a sua poesia sublime. Na Cavalaria, as vezes, a idéia de honra era vaga: a da generosidade, indecisa; a da abnegação, indeterminada; as vezes, era o sacrifício perdido, a bravura sem proveito, a dedicação inútil. No escotismo, a idéia da honra define-se: é a honra do indivíduo, a honra do cidadão; o desinteresse e a magnanimidade não são apenas gestos formosos; são ações justas e úteis - justas para a perfeição humana, e úteis para a grandeza da Pátria.
Tal é, em suas linhas fundamentais, a criação do escotismo. A vos, meus companheiros de trabalho literário, cumpre a tarefa da propaganda, da organização e da direção em Minas, da nova heroicultura, linha de Baden Powell.
Esta educação de alta poesia deve ser agitada e defendida por poetas.
Diz-se que o Brasil é uma terra de poetas. E isto é dito, as vezes, com um desdenhoso franzir de lábios e um ultrajoso dar de ombros ... Aceitemos com prazer a afronta da ironia! Seja ela o nosso orgulho. Sim! Somos e queremos ser um povo de poetas! Antes poetas , que desanimadas maquinas humanas; antes poetas que interesseiros traficantes; antes pássaros leves, ávidos de luz, tontos de sonso e perfumes, contentes de liberdade, insaciáveis de espaço e brilho, que bácoros lerdos e lambazes, amigos do lameiro gordo, satisfeitos do gozo material!E que há, no mundo, de nobre, de grande, de digno, de formoso, que não seja poesia? A vida, em si, é poesia; Carlyle disse que a vida humana é um milagre: "nos tocamos o céu, quando tocamos um corpo humano"; e milagre, poesia divina, é a circulação do sangue, o mecanismo secreto do sistema nervoso, a vida física, que infinitamente multiplica em idéias cada sensação dos nosso sentidos rudimentares.
E a ciência, todas as ciências, desde a física, descobridora das maravilhas do movimento e da luz, até a matemática, mãe de números e de abstrações, são poesia. Poesia é a filosofia, mecânica celeste do universo dos seres, dos princípios e das causas, geometria e música das formas e dos ritmos do pensamento...
O trabalho, deus criador; a agricultura, mestra amável, que transforma arneiros estéreis em paraísos de promissão; a industria, feiticeira engenhosa, transformadora das matérias brutas em instrumentos da fartura e da felicidade; o comercio, o medianeiro providente, que criou a navegação, inventou os transportes e maquinou a civilização, -- são poesia. Poesia é a política, quando , em vez de ser uma profissão de trampolineiros, é a arte e a ciência de dirigir legiões de heróis, em vez de pastorear manadas de escravos. Tudo é poesia! Só não é poesia a preguiça moral, a mesquinharia de alma, a falta de coração dos que duvidam da crença dos outros, porque indignos de viver, são incapazes de crer...
Sejamos um povo de poetas! E criemos gerações de poetas!
Tomai a peito a causa do escotismo. E lembrai sempre que o escotismo sobre ser uma escola de formação, de destreza, e de patriotismo, é, principalmente, uma escola de honra. Diz um brocardo, uma expressão graciosa, que "o homem é filho da crença"; o que quer dizer que na alma da criança devem ser regada as boas ações, que florescerão na mocidade e frutificarão na idade madura.
A idéia da honra, abstração sagrada, inclui em si muitas idéias: a da fidelidade , a do valor, a da equidade, a da responsabilidade, a do pundonor, a da indulgência, a da confiança, a da firmeza de caráter. A honra é toda a dignidade, toda a personalidade moral. Dando a um menino, depois da força e da inteligência, a honra , -- esse menino será um homem perfeito.
E uma pária só pode ser nobre e inabalável quando a grande maioria de seus filhos é de homens verdadeiramente honrados, --honrados no lar e na vida pública honrados como dirigidos e como dirigentes.
Se, com o nosso trabalho, depois da nossa morte deixarmos gerações de homens prefeitos, esses serão os nosso melhores versos, as nossas melhores paginas de historia, de ficção ou de filosofia. Que valemos nós, pelo nosso trabalho literário?
Em dois anos, ou em dois séculos, os mais fortes livros desfazem-se em pó, e os maiores nomes dissipam-se em névoa... Mas, valemos muito pelo que trabalhamos para o pensamento e o afeto dos nosso filhos. Da caudal da vida somos apenas ondas anônimas ou gotas de água, ou, menos ainda: flocos de espuma. Nada sabemos do mistério da nascente nem do mistério da foz... Aparecemos, corremos, murmuramos, brilhamos, vivemos e morremos.
Baste-nos isto... Abençoada seja a vida! Ao menos, um dia, um minuto, um instante, fomos uma parcela, um raio de luz, um pouco da afirmação e da consciência da maravilhosa torrente. Abençoada seja a vida, porque ela nos deu o pensamento e o amor: pensar é um supremo orgulho, e amar uma incomparável ventura. Abençoados sejam os nosso maiores, que nos deram esta paria livre e formosa! E abençoados seremos, se aos nossos sucessores entregarmos aumentada a herança: esta liberdade fortalecida em disciplina e esta formosura acrescida em gloria .."
Fonte: Grupo Escoteiro Tabapuã - http://www.getabapua.com.br/site/manuais/olavo.htm
ESCOTISMO NO ESTADO DE SÃO PAULO |
Em 1910, um brasileiro em missão do governo federal, passando pela cidade holandesa de Delft, perto de um cruzamento ferroviário, deparou com um curioso grupo de 20 crianças uniformizadas. Aproximando-se para informar-se melhor, descobriu que eram escoteiros franceses e obteve deles um folheto explicativo. O nome desse brasileiro era Mário Sérgio Cardim, e o interesse que esse acontecimento despertou foi tão grande que, imediatamente, ele se dirigiu à Inglaterra e, em companhia de Régis de Oliveira, foram a casa de Baden Powell, com quem conversaram sobre o escotismo. Cardim ficou na Inglaterra de 1º de junho a 4 de julho, quando dirigiu-se á França, onde manteve contato com o Capitão Royet, um dos introdutores do escotismo nesse país.
Após voltar ao Brasil, de dezembro de 1913 a junho de 1814, ele dedicou-se à divulgação do escotismo em São Paulo, proferindo 18 conferencia em 18 cidades, além de conseguir o apoio entusiástico de Júlio César Ferreira de Mesquita, diretor do "O Estado de São Paulo". Também foi divulgada uma série de artigos neste jornal, e formou-se a comissão provisória, composta, além de Cardim, pelo Prof. Alcântara Machado e o Dr. Ascânio Cerqueira, que em 15 de agosto realizou a Reunião Preparatória para a fundação da Associação Brasileiras de Escoteiros, quando foram indicados os primeiros monitores, e designada a comissão encarregada de elaborar o anteprojeto do estatuto. Paralelamente, a campanha de divulgação surtia efeito, tanto que, na fundação da A.B.E, já havia 600 escoteiros inscritos. Ainda em 1914, foi publicado o "Esquema de Organização Técnica", enviado a todas as partes do estado e do país. Assim, o Movimento Escoteiro conquista cada vez mais jovens no Estado de São Paulo.
Finalmente, em 29 de novembro de 1914, foi realizada a cerimonia de fundação da Associação Brasileira de Escoteiros, no "Skating Palace", na Praça da República, N.º 59, das 14:00 às 17:00 horas. Nesta ocasião, com a presença de 450 escoteiros, foram aprovados os estatutos e eleito o Conselho Superior, com mandamento até 1919, constituído por aproximadamente 25 membros.
Mais tarde, esse conselho reuniu-se e elegeu a Diretoria, que ficou assim constituída:
| NOME | FUNÇÃO |
| Alcântara Machado | Presidente |
| Ascânio Cerqueira | Vice-presidente |
| Mário Cardim | Secretario Geral |
| C. A. Sampaio Viana | Tesoureiro |
Inicialmente, a sede da A.E.B. foi instalada na Rua São Bento, n.o 61, mudou-se depois para a rua Formosa n.o 10. Simultaneamente, o trabalho continuava e, em 15 de novembro de 1915, 100 escoteiros realizaram as primeiras Promessas Escoteiras, Prado da Moóca, sob a assistência de 15.000 pessoas entre os quais Washington Luís.
Paralelamente, também sob a inspiração de Mário Cardim, era organizado o Escotismo Feminino. (Aqui cabe uma pequena nota: o Bandeirantismo surgiu depois, baseado nos mesmos princípios, e por bastante tempo os 2 existiram simultaneamente). Em 15 de janeiro 1915, na residência da Sra. Kathleen Crompton, posteriormente Instrutora Chefe , iniciava-se a Associação Brasileira de Escoteiras, sob a direção do Dr. Orlando Meira, tendo a D. Maria Guedes como Patrona. Em 1916 era realizado no Parque Antártica o primeiro compromisso das Escoteiras.
Em 1915, a A.B.E. já tinha representante em 6 Estados, sendo que no Rio de
Janeiro foi iniciado o escotismo no Fluminense F.C. Ainda neste mesmo ano, em 1º de setembro, Mário Cardim realizou uma viagem a então Capital Federal, em companhia de 4 escoteiros uniformizados, sendo recebidos pelo Presidente da República, Venceslau Brás, pelos ministros e visitando os principais jornais.
Ainda neste ano, ele recebe uma carta de Baden Powell:
"Londres, 3 de Maio de 1915 - Acuso recebida vossa comunicação, relativa ao movimento Escoteiro nesse país, acompanhada dos Estatutos da A.B.E., folhetos de propaganda e esquemas de organização. Este último é particularmente interessante e denota vosso e vosso espirito de iniciativa. Faço votos pela continuação de vossa instituição, e envio-vos minhas cordiais saudações. Baden Powell" (Tradução de Mário Cardim)
Em 1916, foi organizada a primeira Escola de Chefes, sob a direção do Cel. Pedro Dias de Campos, que foi figura fundamental nesses primeiros dias, e que por muito tempo permaneceu na direção do escotismo da A.B.E. Também merece destaque, Benevenuto Cellini dos Santos, autor do "Ementário de Escoteiros", livro de instrução técnica para escoteiros, e da letra de "Rataplan do Arrebol", hino da A.B.E. ,e posteriormente, da U.E.B.
Em 11 de junho de 1917, por iniciativa do Deputado César Lacerda de Vergueiro, a A.E.B. foi reconhecida pelo Congresso Nacional , pelo Decreto Legislativo n.o 3.297.
Ainda sobre a figura desse período no escotismo, Mário Cardim, foi ele quem traduziu o lema "Be Prepared" para "Sempre Alerta", e o termo "Scout" para "Escoteiro". Em 13 de dezembro de 1947, ele recebeu o título de "Fundador do Escotismo Masculino e Feminino no Brasil" em cerimonia organizada por alguns dos primeiros escoteiros participantes do movimento, além de ser uns dos primeiros portadores do "Tapir de Prata" e Ter sido agradecido com a Ordem do Império Britânico.
O movimento expandiu-se bastante, tanto que na década de 20, chegou a haver cerca de 100.000 escoteiros. Logo após a I Guerra Mundial, foi notável a ação dos escoteiros durante o surto de gripe espanhola, que vitimou milhares de pessoas em São Paulo, quando prestaram diversos serviços auxiliares; em janeiro de 1921, começou a ser publicado "O Escoteiro", informativo da A.E.B., que tinha a cada edição uma média de 30 paginas; em 1922, foi realizada uma homenagem ao Centenário da Independência, nos campos do Ipiranga, com presença de 10.000 escoteiros.
Nessa época passaram a ser realizados os "Raids Pedestres", quando escoteiros percorriam grandes distancias a pé; foram realizados os "Raids" Nata - São Paulo, Recife - São Paulo, Salvador - São Paulo, Niterói - Belo Horizonte - São Paulo, São Paulo - Porto Alegre, entre outros.
Na década seguinte, escoteiros prestam serviços na Revolução Constitucionalista. Em 1932, a Associação de Escoteiros de São Paulo passa a chamar-se "Boy Scouts Paulista". Os Pioneiros do Grupo atuam, então, na frente de batalha e hospitais de sangue, colaborando com a Cruz Vermelha. A bravura, heroísmo e eficiência receberam os mais altos elogios das sociedades internacionais e do próprio fundador, Baden Powell. Em 1940, o Estado Novo cria a Juventude Brasileira, de inspiração fascista, incorporando todas as organizações juvenis, por decreto, inclusive o Escotismo. A Boy Scouts Paulista, desentende-se com a Federação Paulista de Escotismo, negando-se a participar de atividades de cunho político. A pedido da Federação, o DOPS, uma entidade do governo, fecha a Boy Scouts Paulista, recolhendo todos seus equipamentos, móveis etc. O Chefe geral é detido, interrogado e liberado por influências de altas personalidades. Liberdade condicional. Foram dispensados todos os rapazes, mas alguns jovens e chefes continuaram a reunir-se clandestinamente, usando seus uniformes apenas no campo. Oficialmente reaberta, em 1942, a Boy Scouts Paulista passa a colaborar novamente com a já UEB, tanto no nível regional quanto no nacional. Voltando a ter influência internacional. A partir de então, começa a organizar e dirigir cursos para chefes em âmbito regional e nacional.
No dia primeiro de abril de 1947 falece Rodolfo Malampré. Em 1949, cabe à São Paulo a organização do primeiro curso de Insígnia da Madeira . Neste curso participaram os principais dirigentes da UEB, de algumas de suas regiões e de países vizinhos, servindo como ponto de partida para a adoção e introdução do "Esquema Internacional de Adestramento de Chefes" de Gilwell Park . O Acampamento Internacional de Patrulhas, comemorativo do 4º Centenário da Fundação de São Paulo, em 1953, foi idealizado, planejado e dirigido por escotistas da São Paulo, sendo elogiado até por órgãos internacionais. Em 1957 é aprovado por unanimidade o projeto de um de nossos escotistas chamado de "Adestramento", na III Conferência Escoteira Interamericana, em Cuba. Este projeto serviu para consolidar o Esquema Internacional de Adestramento de Chefes de Gilwell, na América Latina. No período de 1950 à 1961, escotistas da São Paulo, comissários nacionais, exercem forte influência na adoção do P.O.R. (Policy, Organization and Rules), substituindo a colcha de retalhos que era o regulamento existente. Outra conseqüência desta mudança foi a desagregação da Associação de Escoteiros de São Paulo, os Grupos remanescentes se integram aos respectivos Distritos, e o Grupo Guarany, o mais antigo, fica com o nome e a incumbência de zelar por suas tradições passando a se chamar "1º Grupo Escoteiro São Paulo".
O MOVIMENTO ESCOTEIRO EM BRAGANÇA PAULISTA |
| ANO | GRUPO |
SITUAÇÃO |
| 1917 | O escotismo em Bragança Paulista teve seu início em 1917 com a fundação da Associação de Escoteiros de Bragança, tinha a sede localizada na escola Dr. Jorge Tibiriçá, teve como primeiro chefe escoteiro Luiz Nardi. As atividades deste grupo foram encerradas no ano em 1930. |
Fechado |
| 1946 | O escotismo ressurgiu no início de 1946 com o Grupo Escoteiro José Guilherme no recém inalgurado colégio de mesmo nome no bairro Lavapés. O grupo que pertencia a Associação Bragantina de Escoteiros (A.B.E.), fundada por Nestor Gonçalves, que havia sido escoteiro na cidade de São Paulo. A A.B.E. tinha como sede um casarão colonial na rua Coronel Leme 140, este casarão ainda existe (fonte: Bragança Jornal nr 663, 09/02/1946). Durante o ano de 1946 o grupo realizou várias atividades nas cidades de Jundiaí, Atibaia e Bragança Paulista. Em 18/07/1946 foi realizado um acampamento na Fazenda Boa Esperança, a convite do Condessa Amália Matarazzo. O grupo encerrou suas atividades em 1947. Alguns de seus escoteiros, 37 anos após, participaram na fundação do Grupo Escoteiro Jaguary em 1984. Veja a fotos do Grupo Escoteiro José Guilherme em 1946 |
Fechado |
| 1960 | Surge o Grupo Escoteiro Pinhalzinho, na localidade de mesmo nome, pertencentes ao município de Bragança Paulista. Encerrados suas atividades poucos meses depois. Reabriu posteriormente. Veja a fotos do Grupo Escoteiro Pinhalzinho em 1960 |
Ativo |
| 1983 | Surge um dos mais tradicionais grupos da região, o Grupo Escoteiro Jaguary (134/SP). Nos seus longos anos de atividades já passaram centenas de crianças, jovens e adultos. Tem sua sede no Parque Fernando Costa (Posto de Monta) |
Ativo |
| 2003 | Fundado o Grupo Escoteiro Bragança Paulista (305/SP), o GEBRAPA iniciou suas atividades no Bairro Matadouro, sendo transferida posteriormente sua sede para a Praça Hafiz Abi Chedid (atrás da Câmara Municipal de Bragança Paulista). |
Ativo |
| 2005 | Fundado o Grupo Escoteiro Castelo Forte. Com sede no centro de Bragança na Igreja Comunidade Presbiteriana, realizou suas atividades inicialmente no Bairro Guaripocaba, buscava atender principalmente as crianças carentes do bairro. A diretoria era composta por José Aparecido Marques de Barros (Diretor Presidente), José Maria Wünsch (Diretor Administrativo), Rui Franco Frossard (Diretor Técnico). Os escotistas eram: Marizélia Wünsch, Eduardo da Rocha Pio, José Cláudio Bertão Júnior, Debora Pereira Dentello. Ronaldo de Oliveira, Sandro Tadeu Domingues Oliveira. O grupo encerrou suas atividades no final de 2005 devido à falta de escotistas. Veja a fotos do Grupo Escoteiro Castelo Forte |
Fechado |
| 2005 | Fundado o Grupo Escoteiro do Ar Santos Dumont. Teve como sede o Rotary, seu diretor Presidente éra Mucio Rodrigues Torres. Fechou no final de 2005. |
Fechado |